
Em finais do século XIX, no auge do espiritismo e do ocultismo, as pessoas ainda sabiam que superstição era superstição. Já em pleno século XXI, a superstição ganhou um nome “fofo”: espiritualidade. Mesmo católicos convictos leem horóscopo e praticam Yoga, acreditando serem coisas — se não benéficas — ao menos inofensivas.
Este é o mal da Nova Era: criar uma alternativa à religião e àquilo que nasceu dela. Aos poucos, essa espiritualidade sem Deus nem Igreja afasta as pessoas da Verdade, aprisionando-as numa ilusão chamada de liberdade — ou pior, “iluminação”. Os críticos são chamados de radicais, de “carolas”, quando não se faz um silêncio ensurdecedor diante dos chamados à razão.
É uma estrada difícil sair da Nova Era — e ainda mais difícil fazer-lhe frente. Suas ideias são sedutoras como o canto das sereias, misturando e relativizando conceitos de origens variadas. Mistura-se budismo com hinduismo, confucionismo e até taoismo — todos filtrados por traduções duvidosas, destituídos de suas raízes históricas, e muitas vezes, deformados pela teosofia e por outras correntes ocultistas.
Parafraseando Chesterton, que testemunhou esse apogeu, a Roda de Buda gira sem parar no mesmo lugar, sem ir a lugar algum. Milhares de anos de história oriental — e os povos continuam os mesmos. Será este o destino que os propagadores da Nova Era nos oferecem: girar eternamente, acreditando avançar?
Para abrir mão da superstição, é necessário separá-la da doutrina da Igreja: água benta não é cristal; confissão não é cirurgia espiritual; escapulário não é amuleto da sorte. A medalha de São Bento afasta demônios daqueles que realmente têm fé e vida de oração; o Rosário é a arma dos devotos de Nossa Senhora, não um talismã.
Seguir a Igreja em sua pureza exige renunciar ao mundo — sobretudo àquilo que, disfarçado de bem, afasta as almas de Deus. O afastamento raramente é brusco: vem pouco a pouco, até que a pessoa acredite estar “indo à Luz”, quando, na verdade, segue o rastro daquele que se disfarça de anjo de luz.