Chesterton, a Raiz de Barbárvore

Chesterton pode ser associado ao Barbárvore de O Senhor dos Anéis. Grande, de raciocínio lento e profundo, defensor do senso comum, descrição que serve perfeitamente a um e a outro, encurtando a fronteira entre o real e o ficcional.

O autor de Ortodoxia passou por um processo de “retorno à razão” após perder a alegria de viver nos anos de faculdade em contato com as ideias que hoje são onipresentes (e quiçá onipotentes): niilismo, socialismo, metacapitalismo.

O retorno à fé católica devolve a Chesterton o olhar racional e o humor sereno. Ele critica o erro sem ferir o errante — e por isso é admirado até pelos que combate. Como um cavaleiro medieval, defende a Igreja não por ideologia, mas por lealdade ao verdadeiro.

Junto com a fé, Chesterton recupera seu assombro pela grandiosidade da Criação e busca transmitir o verdadeiro otimismo e alegria pelas coisas simples através de uma miríade de obras, entre ensaios, contos, poesia e os famosos artigos de jornal, que levavam o mundo ao leitor comum.

Barbárvore, cuja vida era marcada pelos grandes debates sobre as pequenas coisas, é desperto por Merry e Pippin, que o alertam do perigo de Saruman e de seus orcs – praticamente uma produção industrial de autômatos que outrora foram seres conscientes e livres. Os hobbits foram inspirados no homem comum inglês, dotados de senso comum.

O risco não é apenas da perda da consciência, mas de todo um mundo e das pessoas amadas que vivem nele – dos pequenos grandes momentos. Se já havia um declínio entre os ents que se endureciam em árvores comuns, este era agravado pelo sumiço das entesposas, que poderiam gerar entinhos.

O entebate é rápido, porque a situação requer urgência: tomar iniciativa ou endurecer na indiferença. Procurar entesposas é necessário, proteger a floresta para que elas possam reaparecer é essencial. Derrubar Orthanc é proteger o mundo e defender o senso comum.

O paralelo entre ents e Chesterton não acaba aqui. A camaradagem entre ents lembra dos homens que se reconhecem no mesmo barco e se auxiliam por companheirismo, vendo as mulheres como as grandes guardiãs da tradição – como as entesposas são para os ents.

Chesterton não teve filhos, assim como não há notícia de que Barbárvore tenha encontrado uma entesposa. Longe de infertilidade, trata-se de uma fertilidade espiritual, que nutre e sustenta aqueles que dela se beneficiam — lembre que Merry e Pippin foram alimentados por Barbárvore, tornando-se mais altos e robustos que os outros hobbits. Chesterton também deixou frutos que fortalecem os que dele se alimentam.

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