Marta, Maria e Simone de Beauvoir

Quando Jesus visita Marta, Maria e Lázaro, Marta ocupa-se em arrumar a casa enquanto Maria senta-se aos pés do Senhor para ouvi-Lo. Marta, enfastiada, pede a Cristo que Maria a ajude. Jesus, no entanto, explica que Maria havia escolhido “a melhor parte” e que esta “não lhe seria tirada” (Lc 10, 38-42).

Essa passagem vai de encontro à famosa máxima “o serviço doméstico nunca termina”, presente em O Segundo Sexo, um resumo da rejeição feminista aos afazeres do lar, comparados à escravidão ao longo da História. Segundo esse movimento, a mulher não pode ter vida social ou política porque está “presa” dentro de casa cuidando da família.

Hoje em dia, estamos tão habituados às ideias feministas que acabamos acreditando que o serviço doméstico é realmente ruim, principalmente pela repetição: limpa-se a casa num dia, e no outro ela já está suja, fora lavar, passar, cozinhar, costurar e consertar.

Por outro lado, cuidar da casa é necessário para se ter o mínimo de ordem na vida, como resume o famoso conselho de Jordan Peterson: “arrume seu quarto antes de querer mudar o mundo”. No fundo, contudo, a questão é outra.

Para as feministas, renunciar ao trabalho doméstico é uma forma de dedicar mais tempo à causa. Sem precisar cuidar da casa, a mulher poderia se dedicar com mais afinco ao movimento, o verdadeiro motivo por trás da reclamação.

Acontece que Jesus já advertia sobre o excesso de trabalho doméstico. O problema não é limpar a casa, mas viver em função disso, quando há coisas realmente importantes para serem feitas — e isso se aplica também a qualquer outra tarefa que acreditamos ser essencial, mas que acaba tirando nosso foco.

“O serviço doméstico nunca termina”, é verdade. Mas isso não significa que devamos estar curvados a ele o tempo todo, pois há coisas muito mais importantes a serem feitas, e Cristo é quem nos ensina a dar prioridade a elas. A casa não precisa estar impecavelmente limpa, mas o coração precisa estar verdadeiramente aberto a Ele.

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