
Regras para Radicais não é um manual de militância política, como muitos pensam. É um manual de corrosão: como dissolver a realidade em nome de uma revolução permanente, corrompendo até os atos mais simples do cotidiano. Para o autor, a moral é apenas uma desculpa e o que importa é a eficácia das ações para atingir os objetivos desejados.
Alinsky afirma que questionar e duvidar são fundamentais, pois tiram qualquer vínculo que o revolucionário possa ter. Não são questionamentos feitos para aproximar-se da realidade, mas justamente para destruí-la: Eva duvidando de Deus e comendo o Fruto Proibido é o melhor exemplo de como a dúvida pode ser orientada para a destruição.
Não é necessário dedicar muitas linhas sobre quem Saul Alinsky homenageia com esta obra: o próprio Lúcifer, que o autor chama de “primeiro radical bem-sucedido”. Essa “homenagem” fica visível nas blasfêmias contra o Cristianismo ao longo do livro, sobretudo naquelas em que o autor distorce a Palavra de Deus em proveito próprio.
Um detalhe a se ressaltar é que Alinsky direciona sua crítica à Igreja Católica, fazendo pouco caso das igrejas reformadas: querendo ou não, o catolicismo permanece ao longo dos séculos, e a desunião do mundo reformado pode ser usada como arma revolucionária contra a própria cristandade.
Aliás, para Alinsky, qualquer coisa pode ser uma arma revolucionária: de atos corriqueiros a problemas estruturais. Se o questionamento pode ser um ato de rebeldia, por menor que seja, a sociedade passa a viver em constante pressão de “ataques radicais”, que na maioria das vezes são pirraças infantis em larga escala.
Inclusive, uma das “regras” que o autor propõe é a pressão constante sobre o alvo, a partir da criação de uma caricatura deslocada da realidade, atacando esta projeção com provocações e grosserias, agindo com base nas reações a esta pressão.
Isso só é possível com estruturas sociais coniventes com a ação desses “radicais”, como a imprensa e autoridades. Longe de estes revolucionários estarem fazendo algo por si, são apenas manipulados por pessoas que julgam combater.
O próprio autor fala que o “organizador”, como ele chama o “agitador do cotidiano”, deve manipular as pessoas para seguir sua opinião acreditando terem chegado a ela por conta própria. Não se permite que as pessoas pensem nada que esteja fora da agenda ou do interesse do “organizador”.
Com isso se vê que não há uma busca real por solução de problemas, mas o fomento a ódios e insatisfações. Para Alinsky, uma associação deve ser conduzida pelo revolucionário na direção que ele deseja através das brigas internas, não ser um local de união e auxílio mútuo em nome de um bem comum.
Veja o movimento feminista: nunca satisfeito, “celebra” o “dia da mulher” com insatisfação e ingratidão. Não importa se a pauta é plausível ou absurda: a tática é nunca deixar que a sociedade respire, sempre inflar uma nova queixa, sempre manter o inimigo sob pressão.
No final, o grande alvo de Alinsky é a classe média. Ele sabe que ela é a própria estrutura social: pessoas que conquistam o próprio sustento sem depender do governo. Cooptá-las pode finalmente destruir sociedade, levando-a ao caos da revolução permanente, sem princípios que a norteiem.