
Regras para Radicais propõe uma revolução permanente, autofágica. E parece que as pessoas realmente estão indo para a linha de frente, lutando desvairadamente contra qualquer ordem que possa emergir — benéfica ou não.
Mesmo pessoas mais “conservadoras” vão se mostrando radicais, refratárias ao que lhes desagrada, sem levar em consideração a luz da razão. Caíram no engodo de Alinsky e passaram a praticar seu manual de regras, acreditando que irão deter a Revolução — mas estão, na verdade, provocando mais Revolução.
Curiosamente, um livro brasileiro, contemporâneo ao de Alinsky, se propõe a ensinar como fazer frente à Revolução, cauterizar seus tentáculos e pôr-lhe um fim talvez definitivo: Revolução e Contra-Revolução, de Plínio Corrêa de Oliveira.
Antes de continuar, é necessária uma observação: deixemos de lado as polêmicas sobre as TFPs (Tradição, Família e Propriedade), Arautos do Evangelho e afins. Não cabe neste post defendê-los (se é que precisam de defesa) — e talvez este post acabe ressaltando seus pontos favoráveis. Se houvesse algo que realmente maculasse esse movimento, esse livro simplesmente não existiria.
Por um motivo muito simples: a solução apresentada por Plínio é seguir a fé cristã com ardor máximo, desprezando o mundo — e isso faz parte do Magistério da Igreja. No entanto, alguns aspectos dessa solução merecem destaque.
Plínio lembra que é o Espírito Santo quem converte, não as pessoas. O trabalho cristão é instrumento do Espírito. Viver a fé plenamente não deveria nem precisar ser enumerado, de tão óbvio: estamos de passagem, em um vale de lágrimas. Desprezar o mundo e a carne é parte da vida do cristão — ou deveria ser.
Deixar ao Espírito Santo o que Lhe pertence liberta a pessoa da “obrigação” que ela se impõe de mudar a sociedade. Não, ela não precisa fazer grandes projetos, arrebatar multidões ou gastar rios de dinheiro. Basta-lhe ser pequena: fazer o necessário, o que é certo. O exemplo é o melhor instrutor.
Ao contrário de Alinsky, Plínio não recorre a retórica barata nem a sofismas. Seu livro explica a Revolução de modo simples: forças que se unem ou se chocam entre si, mas sempre com o objetivo de destruir o Cristianismo. Todas as revoluções enumeradas por Plínio possuem esse caráter, de forma mais explícita ou mais sutil.
Outro ponto importante é a união que os cristãos devem ter. Quando o católico torna-se contra-revolucionário, ele precisa de postura e firmeza contra a Revolução, denunciando-a dentro do seu alcance. Isso o colocará em contato com outros católicos — e mesmo com outros cristãos — que se unirão em torno da mesma causa.
Contudo, ao contrário de Alinsky — e reforçando o que foi dito — esse combate não se dá com sabotagens ou humilhações, mas com virtude e honestidade. Associações de auxílio mútuo e de beneficência, divulgando os valores cristãos, são as táticas de Plínio contra a Revolução.
Perceba: Plínio não busca combater os revolucionários, mas a Revolução. Ele separa pecador do pecado; o pecador deve ser amado, o pecado, odiado. Ao contrário de Alinsky, que orienta “congelar alvos e personalizá-los” — criar caricaturas e deslocar o ódio da ideia para a pessoa — justificando qualquer ação absurda contra, como o ocorrido com Charlie Kirk.
Talvez o que mais surpreenda em seu opúsculo é o final, digamos, profético. Já na derrocada da União Soviética (a qual Plínio chama de III Revolução), o autor alerta para uma IV Revolução, que denomina tribalista, com características muito próximas aos movimentos identitários dos dias de hoje.
Comentar sobre a V Revolução — migração em massa de árabes para a Europa, impondo seu modo de vida sem levantar armas — é, no mínimo, sinistro, considerando que ela começou a ocorrer por volta de 2010, e Plínio Corrêa de Oliveira morreu em 1995. Alinsky não assustou com seu caos permanente tanto quanto o vaticínio certeiro de Plínio.
Para quem estudou a Revolução por anos procurando um remédio, ele está bem claro em poucas linhas. Não é fácil, não é simples, mas é possível: requer humildade, fé, caridade. Aceitar fazer o pouco e não ser reconhecido por isso. Aceitar ser humilhado e desprezado em virtude da fé. Ser verdadeiramente feliz, pois a verdadeira felicidade é estar com os olhos voltados a Deus.