
Se Deus pede para você fazer alguma coisa, faça exatamente aquilo que Ele pediu. Costumamos vigiar para não fazer menos do que foi ordenado, mas raramente nos policiamos quando fazemos “para mais”.
Temos o hábito de confundir “fazer para mais” com “fazer melhor”. Até certo ponto, essa associação é válida. Porém, quando se trata da vontade de Deus, ultrapassar o que Ele pediu não é melhorar — é vaidade.
Deus sabe o que é melhor para nós infinitamente mais do que nós mesmos. Isso parece óbvio quando dito, mas é fácil esquecer. Por isso, é melhor cumprir exatamente o que Ele manda do que tentar “enfeitar o pavão” com nossos acréscimos.
Esse ponto é desconfortável. Muitas vezes, Deus nos pede obras pequenas, silenciosas e invisíveis aos olhos dos outros. O impulso de “fazer mais” muitas vezes não vem de amor, mas da necessidade de sermos vistos. Nesse momento, não estamos servindo a Deus, mas à nossa própria vaidade.
Desobedecer a Deus não é apenas afrontar diretamente Sua lei, mas também preferir a nossa vontade à d’Ele. Jonas é um exemplo claro. Deus o enviou a Nínive para anunciar a destruição da cidade. Ele foi a contragosto e, quando a cidade se converteu e foi poupada, Jonas se indignou. Ele havia feito o que Deus mandara, mas queria um resultado que não era o de Deus.
A vocação é um chamado para servir a Deus segundo o lugar e a missão que Ele designa. Todos são chamados à obediência, mas nem todos recebem o mesmo encargo. E obedecer não significa realizar feitos grandiosos; muitas vezes, é carregar com paciência os encargos escondidos que Deus nos dá.
Aceitar os próprios tormentos é sinal de obediência e também de mortificação. Hoje, além das tentações corporais, enfrentamos tentações mais sutis, como o niilismo e o relativismo, que levam milhões à apatia. Mortificar-se, nesse contexto, é resistir a esses venenos, mesmo que isso exija um combate silencioso e persistente.
A obediência humilde é, no fim, a vitória sobre a vaidade. Ela nos ensina que não há serviço pequeno quando é Deus quem o pede.