E se os extraterrestres já conhecessem Deus?

As pessoas que acompanham as notícias do espaço sideral ou mesmo estudam as estrelas por fascínio podem ficar com a impressão de que as pesquisas sugerem não haver Deus no espaço. Como se estivéssemos mergulhados em um vazio gélido e eterno, que permanecerá após (inevitavelmente?) as estrelas se apagarem.

Essa visão de universo está muito mais ligada à filosofia dos pesquisadores do que às conclusões dos próprios estudos. Se uma pessoa não possui uma filosofia saudável, dificilmente suas ações tenderão para o bem. Ao contrário do que se imagina, a filosofia, sem uma orientação elevada, pode produzir efeitos catastróficos em uma sociedade.

Curiosamente, essa é também a visão corrente que se tem dos extraterrestres: frios e sem religião. Parece muito mais uma projeção da própria mentalidade dos pesquisadores do que um dado concreto, associando-se falsamente uma civilização avançada à ausência de fé.

Obviamente, desenvolvimento tecnológico e filosófico não caminham juntos: nossas filosofias mais avançadas surgiram quando não existiam a imprensa nem a penicilina. Hoje em dia, enquanto as possibilidades de colonização da Lua tornam-se reais, há quem acredite que a verdade escorre pelos dedos como areia.

Filosoficamente falando, não é mais possível negar a existência de Deus: as Cinco Vias de Santo Tomás resumem milênios de filosofia em torno desse questionamento vital. Contudo, há um limite, pois, como o próprio Angélico afirma, só se pode saber sobre Deus aquilo que Ele mesmo nos revela.

Se é possível deduzir que Deus existe por meio da reflexão filosófica, seria possível que Ele Se revelasse também aos extraterrestres? Afinal, se existem, Deus também os criou; também seriam Seus filhos. E se fôssemos visitados por extraterrestres que conhecessem o mesmo Deus? Quantas histórias haveria para compartilhar, quantos ensinamentos em comum a descobrir?

Por outro lado, e se fôssemos visitados por seres que descobrissem que o Criador encarnou entre nós? Que alegria seria mostrar a bondade de Deus a outros seres, totalmente distintos de nós! Talvez o espaço não seja um deserto gélido, pontilhado por estrelas inalcançáveis, como alguns querem fazer acreditar.

O Peregrino das Estrelas conta a história de um alienígena que precisa pousar na Terra após um acidente e acaba entrando num mosteiro, onde conhece um monge insone. O extraterrestre acredita em Deus, mas não sabia da Encarnação, muito menos da Crucificação e da Ressurreição.

O encontro entre o monge terráqueo e o peregrino alienígena promete não apenas uma convergência entre crenças religiosas, mas um florescimento mais profundo da fé em ambos. Afinal, como seria saber que Deus Se revelou também a outros seres, transmitindo-lhes Seus ensinamentos e expressando o Seu Amor?

Talvez seja uma obra polêmica — menos entre aqueles que creem em Deus e poderiam julgar absurdo esse encontro, e mais entre aqueles que creem que o espaço seja frio e vazio. Se há vida em outros planetas, ou mesmo civilizações, não se tem certeza. O fato é: caso conheçamos outros seres, essa história precisará ser contada.

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