Quem tem medo de um texto bem escrito?

As desenvolvedoras de inteligência artificial poderão, em breve, inserir em suas interações de texto um registro invisível ao olho humano, mas detectável por programas específicos — para confirmar se um texto foi manipulado por inteligência artificial ou não.

Atualmente, as detecções de textos gerados com IA têm índices de falsos positivos extremamente elevados. Qualquer texto bem elaborado hoje em dia recebe a pecha de “gerado com inteligência artificial”, colocando em xeque a habilidade e a capacidade intelectual humanas.

O rótulo de “gerado com IA” traz em si uma conotação negativa de algo vazio de criatividade ou mesmo de argumentação, como se a pessoa tivesse pedido à inteligência artificial que criasse o texto “do nada”, sem qualquer embasamento ou contexto.

Assim como uma pessoa pode escrever um texto com uma linha argumentativa fraca, com dados imprecisos ou mesmo falsos, a máquina também pode fazê-lo. A diferença está na criatividade humana, insuperável pela máquina. Trocadilhos, correlações e o “inconfundível estilo do escritor” podem até ser copiados, mas nunca superados.

Não se leva em consideração se a pessoa apenas solicitou à IA que revisasse a ortografia ou mesmo organizasse as ideias. O original humano leva tempo para ser lapidado, e a automatização auxilia a reduzir o tempo de revisão em uma sociedade cada vez mais apressada.

A inteligência artificial é uma ferramenta que auxilia, não que substitui. Auxilia no estudo e no fortalecimento da linha argumentativa, permitindo que a pessoa chegue a conclusões e desenvolva sua habilidade de escrever mais rapidamente do que por meio de cursos que nem sempre são eficazes naquilo a que se propõem.

Bons escritores agora sofrem por ter seus textos sumariamente ignorados pelo novo preconceito que se enraíza na sociedade: o de que todo texto bom foi gerado por um algoritmo, de que todo usuário de inteligência artificial usa o comando “gere um texto para mim” e pronto.

Vale ressaltar que essa marca esteganográfica não será aplicada a vídeos e imagens — curiosamente, justamente onde seria mais necessária, já que pessoas de má índole podem usar a inteligência artificial para simular fatos reais e gerar confusão.

As redes sociais sofrem com a saturação de conteúdo visual genérico gerado por inteligência artificial — esse, sim, do tipo “gere um conteúdo viral para mim”. Como a ideia é aumentar a retenção, apela-se para qualquer coisa que chame a atenção.

Algumas redes já indicam os conteúdos gerados com inteligência artificial, mas aqueles que “correm por fora” ainda não possuem essa garantia. Curiosamente, é muito mais fácil inserir uma marca esteganográfica em uma imagem ou vídeo do que em um texto — este, inclusive, pode ser limpo de qualquer vestígio em qualquer editor sem formatação.

Por que preocupa tanto um texto gerado por inteligência artificial, mas não um vídeo que simula a realidade? Será porque um texto não é utilizado para gerar tempo de retenção na rede social e, muitas vezes, até incentiva a pessoa a sair dela? Quem realmente está perdendo com textos mais bem escritos?

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